domingo, 25 de setembro de 2011

FEIRA CULTURAL: o Pará reunido em um só lugar

Belém (PA) - Árvores, cipós, folhas secas, animais e lendas se misturam com os cheiros do Pará e sons da mata. Representações de onça, arara e boto cor-de-rosa também estão por lá. É feira, que reúne seis estandes e um palco, que recebe atrações diversas. Eles são ligados por um corredor que dá a impressão de estarmos dentro de uma verdadeira floresta. Passeando pelo espaço é possível encontrar em um pequeno lago, cercada por flores, a sereia Iara ou até mesmo o Curupira andando entre os visitantes.
As atrações também estiveram nas alturas. Sete artistas do grupo Circo Etéreo, da Companhia Athletica, representaram seres da fauna e da flora, realizando movimentos de acrobacia aérea em tecidos. O efeito surpreendeu quem passou por ali. “Está muito bom. A iniciativa é importante para mostrar nossa cultura. Visitei todos os espaços e estão de parabéns. O pessoal do circo em especial, nunca tinha visto algo assim. Estou vendo as crianças interagirem bastante e até os idosos se divertindo. É um evento para todas as idades”, afirma a pedagoga Marileda Miranda.Os estandes foram divididos como os fascículos publicados no DIÁRIO DO PARÁ. “Fauna e Flora”, “Danças e Eventos Culturais”, “Folclore”, “Crenças” e “Artesanato”. Nos espaços, objetos que representam a cultura do paraense e exposição de artigos feitos por produtores locais.
O folclorista Alexandre Costa participa do evento no estande “Folclore”, onde expõe biojoias confeccionadas de materiais fora do convencional. É possível encontrar pulseiras de pedra d’água, miriti, mandalas com pimenta de cheiro, semente de açaí, arruda, patchuli, farinha de tapioca e jogos de xadrez com peças feitas de resina e farinha d’água. “A RBA está saindo na frente com essa Feira. Belém está crescendo e se industrializando. É preciso colocar em evidência os produtos da cultura popular. As crianças crescem na globalização e é importante valorizar o que temos aqui”, avalia Alexandre.
No espaço “Fauna e Flora”, além de elementos que representam a floresta e da presença de lendas como Boto, Iara e Curupira, Nelson Borges faz maquiagem no rosto das crianças, que fazem fila para se pintar como animais e lendas da região. A artesã Conci expõe bombons feitos com frutas regionais, como cupuaçu e bacuri, perfumes e sprays de ambiente totalmente naturais. “Trabalho sem nenhuma química. Uso ervas e raízes da Amazônia. Aqui na Feira converso muito com os visitantes, explico como é feito o trabalho e divulgo meus produtos, que são todos naturais”, explica a artesã.
A fé do paraense está no estande “Crenças”. Um “barco dos milagres” com pequenas casas de madeira e objetos feitos de cera representa os promesseiros do Círio de Nazaré, assim como a imagem da padroeira da Amazônia, Nossa Senhora de Nazaré, que está em um belo altar. Além do forte movimento católico, a Umbanda também está presente. Velas, incensos, defumação e azulejos demonstram as diversas entidades como Tranca-rua, Tupinambá, Preto Velho e cabocla Mariana.
Em “Artesanato”, vasos marajoaras, brinquedos de miriti, biojoias, artesanato em palha, essências do mercado do Ver-o-Peso e cheiros do Pará são a atração principal. Para Laudicéia Araújo, que trabalha com óleos, ervas e produtos como andiroba, copaíba e boldo, a Feira é um novo espaço conquistado pelos artesãos. “Trabalho em uma loja de ervas no Ver-o-Peso e é muito bom poder expor as coisas do Pará em um espaço diferente. Valorizamos tudo que nossa região tem”, ressaltou.

A dança também não podia ficar de fora. No espaço “Danças e Eventos Culturais”, além de uma grande bandeira do Pará no centro do estande, pode-se encontrar um boi-bumbá, que representa os diversos movimentos de boi do estado, vestimentas típicas dos ritmos característicos da região e, claro, dançarinos apresentando coreografias de carimbó, lundu e marujada. E o público não fica de fora. Crianças e adultos são contagiados pela música e também participam da festa. “Gostei muito. É lindo ver toda essa cultura reunida. Trouxe meu filho, que tem quatro anos, e ele adorou”, conta a funcionária pública Gilmara Lobato.
Os shows também têm animado o público. Já passaram pelo palco da Feira nomes como Pinduca, Mestre Vieira, Grupo Yaguara, Boi Tinga, Marujada, Frutos do Pará, Boi Faceiro, Os Baioaras e Banda Nova.

ÚLTIMO DIA

Hoje o dia é dos botos Cor de Rosa e o campeão de 2011, o Tucuxi. Os grupos vem pela primeira vez a Belém, direto do Festival do Sairé em Santarém. A apresentação vai contar com mais de 40 participantes, que levam para a Feira Cultural um pouco da manifestação secular que reúne teatro, dança e música. Para fechar a programação, a consagrada Trilogia com Lucinha Bastos, Mahrco Monteiro e Nilson Chaves, vai cantar as músicas mais pedidas pelo público nesses nove anos de parceria.
Para Marco Antônio, da Marco Eventos, a seleção das atrações foi feita de forma que contemplasse cada região do estado. “Trouxemos grupos que representam Marabá, Baixo Tocantins, região do Salgado, das Ilhas e da capital. Queremos que as pessoas sintam o estado do Pará com todas as suas peculiaridades”, afirmou.

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